Um novo Padre chega à cidade    

De tempos em tempos surgem pessoas com capacidade para influenciar e até mudar o destino de um lugar.
    O Padre Marchesi com 41 anos de idade e 16 de sacerdócio, chegou a Canela a cavalo – como chegam os heróis das histórias – pela estrada do Caracol, em 4 de fevereiro de 1945. Estava preparado para transformar a vida da pequena cidade recém emancipada!
    Contam que era um homem determinado e muito carismático. Tudo o que tinha a dizer dizia, não deixava nada pela metade e lutava sempre com garra para encontrar a solução para os problemas com os quais se deparava. Sua missão em Canela foi muito além dos domínios da sua Paróquia e da difusão da doutrina cristã.
    Com pouco mais de um mês de sua chegada, percebendo que o Ginásio funcionava em três prédios mal adaptados e com instalações muito precárias, resolveu de imediato mobilizar a comunidade, adquirindo o terreno e encomendando os projetos para a construção de um moderno e grandioso edifício.
    Embora houvesse na cidade pessoas que pretendiam priorizar a construção de uma nova Igreja Matriz, o Pároco, compreendendo a importância da formação intelectual e moral da juventude, não vacilou em dar preferência à obra da escola. E foi assim, que a pedra fundamental do Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora foi abençoada pelo Padre Marchesi no mesmo ano em que chegou à cidade, embora as obras propriamente ditas só tenham iniciado alguns anos depois, em dezembro de 1948.

 

    O novo Pároco era descrito por muitos como um homem ambicioso que estava decidido a conseguir o melhor para Canela e seu povo, e o fato é que não mediu esforços para que isso acontecesse. O Padre Marchesi apoiou e atuou decisivamente em diversas obras beneméritas, entre elas a construção da nova Igreja Matriz, do Hospital de Caridade, do Monumento da Prece no Saiqui, do Ginásio dos Irmãos Maristas, do Círculo Operário e praticamente de tudo o que surgia na cidade. Mas apesar do empenho com as obras materiais, o exercício do sacerdócio e a dedicação à cura das almas nunca ficou descuidada.
    Sempre levou sua assistência espiritual a todos os recantos do Município e a gratidão dos fiéis por tanta dedicação foi chegando a ele de várias formas. Em 1956 recebeu do Prefeito Severino Travi o anel de Cônego. Anos mais tarde, em 1973, recebeu o título de Cidadão Canelense das mãos do Prefeito Ernani Reis, e, após sua morte, foi homenageado pela Administração Municipal que perpetuou sua memória dando seu nome a uma Escola e a uma Avenida.

 

    A atuação do Cônego Marchesi no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, foi e é até hoje, um capitulo à parte na história da cidade, tal foi seu envolvimento com o dia a dia do Ginásio e da vida dos estudantes. Ele queria uma escola que fosse referência, um centro de excelência equiparado aos melhores do país. E conseguiu!
    Todos os ex-alunos lembram dele com admiração e respeito, Nos Cadernos de Formatura, que foram intitulados não por acaso de Alma Mater, encontram-se os depoimentos profundamente agradecidos por suas palavras educadoras, por seu pulso firme e por seu imenso apoio às Irmãs Bernardinas na direção do GNSA.
    O Padre Marchesi era consultado para todas as questões e dava fé de tudo na cidade, mesmo em assuntos profanos. No cinema por exemplo, fazia questão de assistir aos filmes antecipadamente para cortar as cenas indecentes, mas apesar disso, era um apoiador da modernidade, e na inauguração do novo cinema em 1957 com lugares para 1100 espectadores, lá estava ele dando sua bênção e fazendo seu discurso.
    Era considerado uma das pessoas mais influentes de sua época.
    Com espírito forte e uma inteligência fora do comum, durante mais de três décadas, contam os que se lembram, era considerado autoridade máxima de Canela, pode-se dizer que pairava quase que acima do Prefeito, pois além de contar com o total apoio dos governantes do Estado, recebia também a autorização da Mitra e as bênçãos de Deus para tudo o que resolvia fazer. Afinal, quem melhor do que o confessor da Paróquia para conhecer as necessidades maiores de seu rebanho?
    Essa liderança durou até o ano de 1977 quando veio a falecer no Hospital de Caridade de Canela, aos 74 anos. Nesse dia os sinos tocaram de hora em hora e seu corpo foi velado na Igreja Matriz onde se encontra sepultado. A Rádio Clube só tocou músicas clássicas e toda a cidade parou em sua homenagem. A missa de corpo presente foi celebrada pelo Arcebispo Dom Vicente Scherer, pelo Bispo Dom Benedito Zorzi, por 83 sacerdotes e toda a população de Canela.

    Sua memória continua muito viva até os dias de hoje, nas lembranças de todos os que o conheceram e na própria Casa Auxiliadora, que mesmo agora, com sua nova identidade, ainda guarda entre as paredes a energia de imensa gratidão ao querido Padre Marchesi, que tornou possível sua construção.

O GNSA

3 de agosto de 1952

    O grandioso edifício do Ginásio de Canela era inaugurado com as bênçãos do Padre Marchesi e sob a regência da Irmã Aureliana.
    A ocasião, com pompa e circunstância, contou com a presença das figuras mais notáveis do Estado: o Governador – General Ernesto Dornelles; o Secretário do Interior – Dr. Egídio Michaelsen; Monsenhor Pedro Frank representando o Arcebispo e todos os representantes do Clero local além de autoridades estaduais e municipais.
    Foi o acontecimento mais importante da região naquele ano. Pioneiro, o Ginásio Auxiliadora lançava as bases para o desenvolvimento do ensino e da cultura na Região.     
    A solenidade, organizada com o auxílio de cada uma das distintas famílias da cidade, marcou o início de uma nova era para os 243 alunos. Ocupando o ponto mais nobre da cidade, à direita da Igreja Matriz, aquele era o prédio mais lindo e moderno que já tinham visto. A vida vicejava ali dentro, com os sonhos de um futuro promissor.

 

    Durante 24 anos, 1546 jovens estudaram no GNSA e os depoimentos dos alunos e professores, que até hoje continuam promovendo encontros e festas de confraternização, impressionam pela unanimidade de opiniões sobre a harmonia que reinava entre todos, mas, principalmente, elogiam a qualidade da formação e a excelência do ensino desse educandário, que surgiu para elevar o nível cultural da cidade.
    Alguns alunos ainda lembram quando passaram para o novo prédio. Na frente havia somente a escadaria e a entrada de todos era feita pelas portas laterais. 
    De uniforme azul e branco, ao som da famosa “sineta” da madre superiora, formavam filas e entravam na escola, uma turma de cada vez, em completo silêncio, até chegar às suas salas. Não era perguntado aos alunos se queriam ou podiam fazer alguma atividade, simplesmente tinham que fazê-las, e as faziam!
    A disciplina era rigorosa e o objetivo do Ginásio era trabalhar a mente, o corpo, o caráter e a alma dos jovens estudantes incutindo-lhes princípios éticos e morais sólidos.

-“ O Auxiliadora, para a cidade, foi de suma importância, porque das centenas de alunos que passaram por esse Ginásio, todos tiraram o mesmo proveito, e, posso dizer sinceramente, que se hoje sou uma pessoa feliz, é muito em função dos ensinamentos que tive no GNSA, da força vigorosa que tinha o ensino naqueles anos – latim, português, francês, inglês, era um apanhado de instruções que hoje em dia não existe mais no Brasil”

Idemor Piva | ex-aluno

    Escola mista era uma raridade no Sul, mas entre as irmãs professoras havia um homem, personagem inesquecível para os alunos, por sua figura paterna e amiga. Era o professor de educação física, Tenente Edy Saul Pütten que dirigia a Banda Municipal, o time de vôlei, e era incansável ao trabalhar o desenvolvimento das potencialidades e a disciplina dos exercícios, além de ter sido grande incentivador da participação dos jovens nos jogos estudantis e nos desfiles cívicos.

    A formatura da primeira turma do Ginásio ocorreu em dezembro de 1953 quando as matrículas já registravam 315 alunos, atendidos por 20 professoras, lideradas pela Reverenda Irmã Jandira, recém-chegada dos Estados Unidos, de onde trouxe métodos novos de ensino.
    Mas os anos passaram e algumas mudanças aconteceram. Com a chegada dos Irmãos Maristas, os meninos acabaram matriculando-se na nova escola e o Auxiliadora perdeu grande número de alunos.

    Na quarta-feira, 3 de dezembro de 1975 as manchetes dos jornais anunciaram o fechamento do Colégio, pegando a todos de surpresa. A decisão havia sido tomada pela Congregação das Irmãs Bernardinas durante o ano letivo e comunicada à comunidade e aos pais poucos dias antes.
    Vencido pelo déficit acumulado nos últimos anos, o Colégio fechava suas portas.

    O valor da bolsa subvencionada pelo governo do Estado não era suficiente para cobrir os custos e, dos 190 alunos da época, apenas 7 pagavam integralmente o custeio de seus estudos. O surgimento de outras escolas levara muitos dos estudantes e já não havia alunos suficientes para cobrir as vagas oferecidas. Com aprovação do Arcebispo, o Cardeal Dom Vicente Scherer, os estudantes remanescentes foram distribuídos por outras escolas e o imponente prédio transformado em Casa de Retiro Espiritual, Cursilhos, Encontro de Jovens e Espaço para Congressos e Conferências.

    -Ao anunciar o fechamento do Colégio em 1975, o jornal Nova Época encerrou a matéria com uma frase que agora, com a inauguração da Casa Auxiliadora, adquiriu um grande significado:

“Cumpre-nos confiar que o novo empreendimento que em seu lugar se levanta, seja coroado de pleno êxito, quiçá abrindo um novo capítulo para o progresso e desenvolvimento da cultura na Região das Hortênsias!”

Jornal Nova Época - 1975

As Irmãs Bernardinas

A história das Irmãs Bernardinas é muito antiga, começou em 1452 na Polônia com um grupo de senhoras piedosas que se dedicavam à educação de meninas. Mais de 180 anos depois fundaram o primeiro claustro de vida contemplativa onde até os dias atuais vivem enclausuradas. A responsabilidade pela educação de crianças ficou por conta das “Irmãs Externas” que atualmente podem ser encontradas em vários lugares do mundo. Foram chamadas de Bernardinas porque seus primeiros conventos foram construídos perto dos Padres Bernardinos. Foi de Zakliczyn na Cracóvia que a irmã Verônica Grzedowska saiu para os Estados Unidos com a missão de fundar um Convento em terras americanas, para cuidar das famílias polonesas que haviam migrado para lá. A partir de 1937 elas começaram a ser enviadas para missões no Brasil e vieram parar em dois pequenos povoados no Rio Grande do Sul, Camaquã e Dom Feliciano.

As irmãs Bernardinas que dirigiram o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora tinham chegado a Canela em março de 1942. Vieram da casa provincial de Camaquã a convite do pároco da época, o Padre Hickmann. Inicialmente moraram na casa cedida por Basílio e Luiza Travi onde mantinham um internato, e as aulas eram dadas no Círculo Operário Canelense (hoje local da Caixa Econômica) com 75 alunos matriculados. Estão completando agora 80 anos de presença no Brasil e seus feitos ficaram gravados na memória de quem teve a oportunidade de conviver com elas.

– “As irmãs, no início todas americanas, tinham um sotaque bem carregado, um semblante austero, sério, cara de poucos amigos e inspiravam respeito e até um pouco de temor. Vestiam hábito que deixava transparecer apenas a parte do rosto e as mãos. Pareciam pinguinzinhos e duvido que alguém não quisesse saber como elas eram de verdade por baixo de todos aqueles panos. Tinham nomes esquisitos, lembro de alguns: Foligna, Fulgência, Angelora, Aldegunda, Benigna, Batista, Prudenciana, Aureliana e tantas outras.” 

(Recordações de Rosemary Kohlrausch – extraído do livro Vida e Missão das Irmãs Bernardinas)

“Um fato que sempre me lembro: sempre gostei de ler, desde guri, e em casa a gente não tinha livros. A irmã Angelora, para despertar em nós o gosto pela leitura, contava todos os dias um capítulo da história de São Estanislau. Aconteceu que um dia, achei o livro na biblioteca e quis ler todo de uma vez para poder contar para a turma a história toda. Distraído, não vi escurecer, e na hora que fui sair já estava tudo fechado com aqueles ferrolhos. Aí subi as escadas e fui lá na clausura, onde era proibido. Bati à porta, e quando a freira abriu, nossa senhora! Começou a falar não, não, aqui não pode, aqui não pode! Levou um susto, mas depois foi abrir, gentilmente, para eu sair.” – “A Irmã Angelora marcou época. Ela era diferente das outras. Eu acho que ela era brasileira e as outras americanas. Era perfumada, ela era linda, nós tínhamos 7, 8 anos e achávamos ela linda, linda, linda! E ela era muito calma, passava pelos corredores e deixava seu perfume de sabonete.” 

(Recordações de Olmiro dos Reis – extraído de seu depoimento para o Projeto Alma Mater) Nota: a Irmã Angelora vive atualmente no Convento de Viamão-RS

– “O Ginásio Auxiliadora foi um marco da educação em Canela. Professores magistrais e Irmãs religiosas inesquecíveis. Disciplina rígida, salas de aula modernas, biblioteca, aparelhos de ginástica estilo americano. Instrução religiosa, missas. Novidades absolutas. Colegas e amigos para sempre.” 

(Depoimento do ex-aluno Walter João Pütten)

-“As Irmãs Bernardinas despertaram em mim o sentimento religioso, o gosto pelo idioma inglês, além de todos os conhecimentos gerais adquiridos como o latim, a música, enfim toda a formação intelectual e moral que marcaram minha infância e adolescência e, hoje, se refletem no meu dia-a-dia.” 

(Depoimento de Beatriz Zanata Batista - extraído do livro Vida e Missão das Irmãs Bernardinas)

-“Minha lembrança das Irmãs Bernardinas começou com pouco mais de 10 anos de idade. Nós deixamos a casa em que morávamos para que se estabelecessem sem custo em Canela, e nós fomos morar em outra casa. Assim passei dois anos no internato em minha própria casa. Foi um tempo muito bom., estas irmãs sempre primaram pela organização, pela limpeza e pela dedicação ao trabalho, não esquecendo nunca da parte espiritual. Casei com um médico (Ruy Vianna Rocha), tivemos quatro filhos, e foi às Irmãs que confiamos os partos. Da primeira quem fez o parto foi a Irmã Gaudência e da segunda a Irmã Francelina que disse na hora do nascimento: “esta vai ser enfermeira”, e por incrível que pareça, ela hoje é enfermeira!” 

(Recordações de Maria de Lourdes V.Rocha - extraído do livro Vida e Missão das Irmãs Bernardinas)

– “O fato interessante que eu lembro, sei até a sala que a gente estudava, embaixo, a última bem do canto, virada para a rua. Entrou a irmã na sala de aula e nos disse: eu tenho uma notícia triste para dar! Getúlio Vargas morreu! Mas a notícia que era para ser triste, foi seguida por uma alegre algazarra, pois todos seriam dispensados da aula e poderiam ir para a praça folgar. Foi no dia 24 de agosto de 1954, eu estava na quarta série do Ginásio. “

(Recordações de Glenda Viezzer- extraído de seu depoimento para o Projeto Alma Mater)

– “Aprendi com as Irmãs americanas sobre a decoração das salas de aula. Em épocas de Páscoa ou Natal, elas traziam dos Estados Unidos culturas que aqui não existiam. Todo mundo fazia desenhos para o Natal, e para a páscoa, e outras ocasiões também. Eu que nunca me dei bem em desenho, uma vez fiz uma ânfora, e a irmã disse: esta eu quero levar para os Estados Unidos. Levou minha ânfora para os Estados Unidos.” 

(Recordações de Idemor Piva - extraído de seu depoimento para o Projeto Alma Mater)

As turmas que se formaram deixaram registradas suas homenagens e recordações sobre os professores e colegas em um caderno chamado de “Alma Mater”. Solores Dossin, uma das ex-alunas, que auxiliou muito no resgate de todas estas informações, ao se formar em 1954 escreveu assim: -“É com saudade que recordo o ano de 1945, em que pela primeira vez transpus o portal deste Ginásio, então sóbrio barracão. E agora, depois de tantos anos de esforços e sacrifícios me vejo coroada de êxito, já tendo vencido uma das tantas fases da vida estudantil.”

Solores Dossin

Assim como nestes depoimentos , centenas de outros jovens expressaram a imensa gratidão à passagem das Irmãs Bernardinas por Canela.

Esses documentos, cedidos por ex-alunos e professores para as pesquisas do Projeto da Casa Auxiliadora fazem parte agora de um acervo que continuará a ser reunido com o intuito de resgatar a memória da história de Canela para que possa ser contada às futuras gerações. Atualmente, nas lojas do prédio renovado, podem ser encontrados murais fotográficos repletos de gratas recordações para todas as pessoas que conheceram o Ginásio e as Irmãs Bernardinas.

Expostos pelos corredores do Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora, os “Quadros de Formatura” eternizaram as conquistas e os sonhos de alunos e professores. Mas com o fechamento do Colégio o tempo se encarregou de maltratá-los, derrubando letras e subtraindo fotos.

Com a aquisição do prédio, o principal objetivo dos empreendedores foi criar um projeto batizado de Alma Mater, para preservação de todo o material que pudesse ajudar a resgatar a história de Canela e da região, trazendo para o presente e para as gerações futuras as recordações vivas das pessoas que frequentaram o prédio do Ginásio Auxiliadora.

Os quadros, sem dúvida, fazem parte da memorabilia do GNSA e, ao trazer esses registros para o presente, mais do que preservar a história de Canela, pretende-se homenagear a trajetória das pessoas que frequentaram a Escola, e compartilhar com os visitantes as recordações do passado. Assim, foram restaurados e reproduzidos em painéis fotográficos para que possam ser apreciados por todos os visitantes.

Os originais estão preservados e sob a guarda do Projeto Alma Mater.

*As dez primeiras turmas de formandos produziram estas verdadeiras obras de arte. Nove delas foram restauradas e ilustram estas páginas. O quadro da turma de 1954 não foi localizado quando da aquisição do prédio.

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